terça-feira, 13 de outubro de 2026

Do direito da criança e do adolescente à natureza

Em 23/09/2026 foi publicada no Diário Oficial da União a Lei Federal nº 15.512/2026, que "dispõe sobre princípios e diretrizes para a formulação e a implementação de políticas públicas com vistas à efetivação, com absoluta prioridade, do direito da criança e do adolescente à natureza".

Nos termos da oportuna lei o direito da criança e do adolescente à natureza compreenderá:

I – o acesso a áreas naturais saudáveis e ecologicamente equilibradas;

II – o exercício da convivência familiar e comunitária e das manifestações e atividades culturais e o estabelecimento de vínculos socioafetivos com a natureza;

III – o brincar livre e em contato com a natureza;

IV – a educação baseada na natureza;

V – a defesa, a conservação e a recuperação da natureza e a garantia de seus benefícios para as presentes e futuras gerações, por parte da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da sociedade, das comunidades, das famílias, das crianças e dos adolescentes.

Capítulo especialmente merecedor de destaque é o dedicado à "educação baseada na natureza", dado o seu impacto na formação da criança e do adolescente.

Segundo o art. 17 da lei "A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão estimular a efetivação de medidas com vistas à adoção da educação baseada na natureza na rede de ensino."

No parágrafo único do citado artigo 17 há a definição do que entende-se por educação baseada na natureza, sendo esta compreendida como "a convergência da educação ambiental e climática com estratégias de educação que fomentem o acesso e o vínculo à natureza, a promoção da biodiversidade, a valorização da interdependência de todas as formas de vida e medidas de resiliência climática".


Por fim, a lei estabelece que a educação baseada na natureza deverá promover ações, projetos e programas, entre outros, nas seguintes dimensões:

I – educação ambiental, que promova o contato dos estudantes com a natureza e o desenvolvimento de habilidades verdes e contemple temas relacionados às mudanças do clima e à proteção da biodiversidade, conforme diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais;

II – promoção de espaço escolar que contribua para a adaptação climática e a resiliência urbana a partir de soluções baseadas na natureza, com vistas à sustentabilidade socioambiental e ao desenvolvimento de atividades pedagógicas no âmbito da educação ambiental;

III – promoção de espaços naturais no entorno escolar, asseguradas condições adequadas de mobilidade e de segurança viária;

IV – prioridade às escolas no recebimento de soluções de políticas de adaptação e mitigação climática, nos planos de ação de redução de riscos e respostas a desastres, bem como em outras políticas urbanas.

Percebe-se que almeja a nova lei aprofundar os vínculos das crianças e adolescentes com o ambiente natural, mediante a criação de mecanismos que viabilizem um foco na natureza durante o processo educacional.

Cuida-se de uma lei oportuna, como dito acima, pois propicia meios que assegurem formação ambiental crítica (quem conhece e respeita a natureza durante seu processo de formação escolar tende a levar esta visão de tutela ambiental para cada recanto de sua vida adulta), assegura condições de saúde física e mental, advindas do contato com o meio natural, confere à criança e ao adolescente o status de um agente protetor do ambiente natural e impõe ao poder público a tomada de providências que permitam o atingimento das ambiciosas metas mencionadas acima.

Para quem desejar acessar o texto integral da lei, basta clicar no link abaixo:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15512.htm

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Tucanos


Os tucanos são aves que correspondem à família Ramphastidae.

Habitam sobretudo as florestas tropicais da América Central e América do Sul. Sua família inclui cinco gêneros e mais de quarenta espécies diferentes. Tem como características marcantes seus bicos grandes e coloridos, os quais possuem função de termorregulação, haja vista que muitas espécies desta ave permanecem por muito tempo na copa das árvores, expostas ao sol tropical escaldante.

São encontradas desde o México até o Brasil. Algumas espécies habitam florestas tropicais úmidas de baixa altitude, enquanto outras habitam bosques mais temperados e a altitudes de até 3000 m.

Os tucanos são frugívoros, se alimentando, portanto, principalmente de frutas e sementes. Têm um bico grande e forte que lhes permite pegar frutas diretamente da árvore, mesmo aquelas que são muito grandes para sua boca. Também se alimentam de insetos e pequenos animais, como lagartos e cobras. 



Estas aves são monogâmicas e formam casais para a reprodução. Durante o acasalamento, os machos cortejam as fêmeas com exibições de voo e vocalizações. 

Formado o casal, constroem um ninho em um buraco de árvore ou em uma cavidade natural. A fêmea coloca de 2 a 4 ovos, que são incubados por cerca de 15 dias. 

Os filhotes nascem sem penas, sendo alimentados pelos pais com frutas e insetos.

É uma ave de grande importância ecológica, pois participa da dispersão de sementes, sendo essencial para a regeneração de florestas.


Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tucano

https://querobolsa.com.br/enem/biologia/tucano?srsltid=AfmBOornvBD7nSY5c3FaDjZpkir-z_nnqC9FK6VLNZFN9TY1zzWaPa4E

https://www.cerquilho.sp.gov.br/noticia/1791/tucano/

Fotos de Bruno Cunha Martins, tiradas em 22/08/2026, em Uberlândia/MG.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Proliferação de plantas na superfície - Lago Miranda

Infelizmente, nem só de belezas vive o cerrado.

Nas imagens e vídeos abaixo flagrantes de plantas aquáticas tomando conta de trechos do Lago da Usina Hidrelétrica de Miranda, no Rio Araguari, entre os municípios de Uberlândia, Indianópolis e Nova Ponte, no Triângulo Mineiro.

Recebemos relatos de mortes de peixes e de dificuldades de navegação, por conta das plantas, as quais seriam oriundas do lago da UHE de Nova Ponte/MG.

As imagens foram obtidas na semana de 24 a 28/08/2026.



Tendo maiores informações atualizaremos este artigo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Religiosidade no cerrado: O Santuário Basílica de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja

Localizada na cidade mineira de Romaria a Basília de Nossa Senhora da Abadia é uma construção imponente.

Iniciada em 1932 e finalizada em 1975 a bela igreja é revestida de uma pedra de tonalidade avermelhada, chamada "tapiocanga".

O templo religioso recebe anualmente centenas de milhares de fiéis. O ponto máximo das celebrações se dá em 15 de agosto, Dia de Nossa Senhora da Abadia.

A igreja foi alçada ao status de basílica em 2023, por ato do Papa Francisco. Sua história, no entanto, remonta ao longínquo ano de 1872, quando por lei imperial foi criada a paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja.

Em 1920 estima-se que a festa anual em louvor à santa tenha recebido mais de 45 mil pessoas e 3500 carros de boi.

Tradicionalmente, em todos os anos, como prova de fé, milhares de pessoas empreendem caminhadas longas, oriundas das cidades vizinhas, com destino a Romaria, onde são sobretudo agradecidas as intercessões da santa.

Em 2018, por meio de lei estatual a Festa de Nossa Senhora da Abadia em Romaria-MG foi reconhecida como de relevante interesse cultural e patrimônio imaterial de Minas Gerais.

Venha conhecer este belo templo dedicado à Padroeira do Triângulo Mineiro.


Fotos: Hugo Cesar Amaral, tiradas em 01 e 02/08/2026.

Fontes: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_Bas%C3%ADlica_Nossa_Senhora_da_Abadia_de_%C3%81gua_Suja


https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/festa-de-nossa-senhora-da-abadia-de-romaria-se-torna-patrimonio-imaterial-de-minas.ghtml

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A florada dos ipês

Uberlândia fica mais bela com as floradas dos ipês, a partir do mês de junho, estendendo-se até setembro.

Os ipês de coloração roxa são os primeiros a florir, em junho. Os ipês brancos florescem normalmente em agosto.

Em 2026, talvez por causa das chuvas ou outra condição climática, verificamos um fenômeno raro, que é a florada simultânea dos ipês roxos e dos brancos.

Na foto acima, dois belos exemplares, localizados na Avenida Rondon Pacheco, nas proximidades do Fórum de Uberlândia.

Autoria da foto: Hugo Cesar Amaral - foto de 23/06/2026.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Carcará

O carcará também é conhecido como caracará, carancho, caracaraí (Ilha do Marajó), gavião-de-queimada, gavião-calçudo, falcão-gigante (nome adotado) e caracaí (1).


O carcará é facilmente reconhecível, quando pousado, pelo fato de ter um penacho preto sobre a cabeça parecido com um solidéu, assim como o bico adunco e alto, que se assemelha à lâmina de um cutelo; a face, chamada de cera, varia do vermelho ou laranja quando está calmo, ao amarelo quando está irritado, disputando território ou alimento. 1

Tem as costas recobertas de preto e, no peito, apresenta uma combinação de marrom claro com riscas pretas, de tipo carijó ou pedrês; suas patas são compridas e amarelas; em voo, assemelha-se a um urubu, mas é reconhecível porque sua cauda é mais longa e as asas são mais estreitas, com duas manchas de cor clara nas extremidades. (2)

Esta ave não é taxonomicamente uma águia, mas um parente distante dos falcões. Pode ser encontrado tanto sozinho como em bandos numerosos em redor de mamíferos e carcaças.

Sua ocorrência se verifica em campos abertos, cerrados, borda de matas e inclusive centros urbanos de grandes cidades.

O carcará possui distribuição neotropical, ocorrendo em uma área ampla que abrange desde o centro do Peru, Sul da Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai até a Terra do Fogo. No Brasil, ocorre ao sul do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul.

É uma ave onívora e bastante oportunista. Se aproveita de todas as fontes disponíveis, comendo "de tudo”. Comem "invertebrados que são capturados em suas caminhadas no solo, peixes morrendo em poças, lagartos, cobras e caranguejos, além de capturar animais moribundos ou atropelados nas estradas. Saqueia ninhos de outras aves, inclusive aves grandes como os ninhos de tuiuiú (Jabiru mycteria), e às vezes, fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais" (3).

Quanto à sua reprodução o seu ninho é construído com ramos sobre as árvores ou diretamente no solo. São colocados 2 ou 3 ovos, raramente 4, incubados pelo casal durante 28 dias. Geralmente os pais criam um só filhote por ninhada (4). 

Fonte:

(1) https://www.wikiaves.com.br/wiki/carcara

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Carcará

(3) https://adema.se.gov.br/carcara/

(4) https://prefeitura.sp.gov.br/web/meio_ambiente/w/servicos/fauna/especies_da_cidade/13235

Fotos de autoria de Bruno Cunha Martins, tiradas em Uberlândia, em junho de 2026.


domingo, 31 de maio de 2026

Coruja-buraqueira

A coruja-buraqueira é uma ave strigiforme da família Strigidae. Com o nome científico cunicularia (“pequeno mineiro”) recebe esse nome, pois vive em buracos cavados no solo.

É uma ave de pequeno porte, possuindo um tamanho que varia de 21,5 a 28,5 cm entre os exemplares masculinos e de 22 a 25 cm para as fêmeas, com peso variando entre 110 e 285 g para os machos e entre 150 a 265 g entre as fêmeas) O espécime possui cabeça redonda e sem penachos, com os olhos dispostos lado a lado, num mesmo plano. Tem sobrancelhas brancas e os olhos amarelos. A coloração da ave possui tons cor de terra, podendo apresentar plumagem em tons de ferrugem causados por solos de terra roxa. Destoando do que se verifica na maioria das corujas, no caso da coruja-buraqueira o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as estas são normalmente mais escuras que os machos, principalmente na face.

Vivem em campos, pastagens e gramados de áreas urbanas.


Possuem comportamento terrícola e apesar de diurna é mais ativa à noite. Possuem o hábito de pousar sobre cupinzeiros, estacas, fios, bem como à beira de estradas. Vive em tocas, que ela mesma constroi, daí o nome "buraqueira".


Se alimentam de besouros e outros artrópodes e também de pequenos mamíferos, aves, répteis e anfíbios.

Para a postura dos ovos utilizam câmara em túnel por ela escavado no solo ou buracos abandonados de tatus. Tem postura de 4 ovos, incubados pelo casal durante 23/24 dias. Os filhotes são alimentados pelos pais.

A ave possui distribuição por todo o território americano, ocorrendo desde o Canadá e Estados Unidos até o extremo sul da América do Sul. Sua presença pode portanto ser verificada em todo o território brasileiro estando ausente apenas nas áreas densamente florestadas.

São as únicas espécies de corujas pequenas que se empoleiram no chão. São tão terrestres que, quando perturbadas ou ameaçadas, muitas vezes correm ou se achatam contra o chão, em vez de voar.


Fontes:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/coruja-buraqueira

https://prefeitura.sp.gov.br/web/meio_ambiente/w/servicos/fauna/especies_da_cidade/13187

http://www.avesderapinabrasil.com/termos_de_uso.htm

https://www.ornithos.com.br/athene-cunicularia-coruja-buraqueira/

https://nationalzoo.si.edu/animals/burrowing-owl


Fotos de autoria de Bruno Cunha, tiradas em maio/2026.